Recíproco

apecerto

A gente marca o encontro na quinta, e começa a roer as unhas na segunda, tudo bem, rola uma crise de ansiedade, rola um frio na barriga, rola uma vontade de querer que os dias passem mais rápidos, de repente você sente o cheiro da pessoa do nada e pensa nela quando ouve aquela música na playlist aleatória do spotify.

Terça ta tudo ok, na quarta, então, na quarta, você começa a se encher de perguntas. Você enche as paredes do quarto com interrogações e nas horas vagas as paranoias poluem sua mente, a pergunta que fica estampada na sua testa em letreiros de boate é “será que é reciproco? ”

Depois de sentir sozinho, nadar sozinho, pular de um penhasco e não ter ninguém para te socorrer quando você chega ao chão, depois de morrer tantas vezes, a suspeita do “Não reciproco” aumenta, umas paredes de concreto se levantam, você se arma, porque tem medo, medo de azedar a comida, medo de pensar, e não ser pensado, sonhar e não ser sonhado, lembrar e não ser lembrado.

A gente sorri, a gente beija, abraça e antes de dormir a gente lembra um pouquinho de tudo, a gente cruza os dedos e pede baixinho que seja reciproco.

Texto: Yago Alves

Ilustração: Henrique Haroldo

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