Cupcake

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A gente nunca se falou, digo, eu nunca ouvi sua voz, quer dizer, ouvir naquele dia, mas não lembro como ela é você também ouviu a minha, eu acho, mas não sei, às vezes fico tímido demais e penso que falei, mas na verdade não falei e só acenei a cabeça como quem diz “to te vendo, mas não vou até ai, porque se não te assusto”.

Você costuma sorrir com os olhos, admiro quem faz isso, sabe? Porque sua boca pode não sorrir, mas seus olhos sorriem, e quando sua boca sorrir e seus olhos sorriem juntos, é como um big bang do “bem”, explosão estrelar, talvez, mas não sei, eu não sei quase nada, não sei usar vírgulas, nem sei o que fazer comigo.

Naquele dia eu queria ser invisível, mas queria que você me visse, eu queria ser surdo, odeio todo aquele barulho, mas queria que você me ouvisse. Naquele dia depois das vinte e duas, quando eu finalmente tomei coragem nas pernas, no peito, e na língua, você já estava de saída, lembro de te ouvir falar:

“Vou pegar meu cupcake”,

Lembro que sorri e perdi toda a coragem.

Lembro que desejei ser teu cupcake.

Yago Alves

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