Nosso Homicídio

tecto-astronalta-azulOntem ele disse que a vida era um enorme parque de diversões e que estava cansado de ficar na montanha russa, um dia sorrindo, dois dias deitado na cama não querendo ver nada nem ninguém.

Ontem ele pediu aconchego e chamou meu nome como quem diz que precisa de alguém, e que esse alguém talvez pudesse ser eu, já que eu estava e sempre estive ali, esperando um sopro, um beijo, um oi, um estou bem, mas nunca um adeus. Adeus dói na alma, parte o peito em dois, definitivamente aprendi a detestar os “adeus”, porque eles costumam ser dolorosos e regados de agonia, saudade e medo.

Eu sussurrei antes de dormir que não queria que o mundo me engolisse, eu sussurrei nosso “adeus” para a parede branca do quarto, eu escrevi teu nome no espelho embaçado do banheiro, eu quis dançar contigo no parque, andar na tua montanha russa, sorrir um dia e os outros dois ficar deitado na cama não querendo ver nada, além de você.

Eu quis virar eterno para nunca morrer dentro de ti, mas ontem te vi com uma faca coberta de sangue que não era teu e finalmente a ficha caiu, você me matou, mas esqueceu de me avisar, você não me queria mais vagando pelo teu peito, decorando as paredes e colando fotos no mural do quarto.

Você cansou do meu sorriso amarelado, do meu mau humor matinal e da minha mania de sempre te querer por perto.

Texto: Yago Alves – yauugo@gmail.com – FACEBOOK 

Ilustração: Gillian Rosa

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